sexta-feira, 27 de maio de 2011

FLEXIBILIDADE, MALEABILIDADE, CENÓBIO, VULVA ( wikcionario wik dicionario poesia filosofia poema )

Água é alma /
alma da vida /
alma de água /
substância plástica /
a rainha da flexibilidade /
da maleabilidade /
que penetra todos os reinos e recantos /
aonde o tempo não foi /
girar o seu motor aquático /
no peixe-espada e no crocodilo do Nilo /
( No latim de Roma /
alma era "anima" /
designando o movimento na raiz da palavra /
No latim de igreja ou cristão /
esse motor ganhou movimento sobrenatural /
abandonou o radical ao solo /
e alçou vôo nefelibata ) /

Onde passa água /
passa vida /
- passa uva /
uva-passa /
passa pássaro /
passa a passo o monge /
o solitário homem /
sempre só consigo /
mesmo no cenóbio /
ou na turba /
ou à tuba /
tocando a vulva /

Aonde não vai a água /
não vai a vida /
nem a alma-de-gato /
ou o quero-quero no mato /
o tartaranhão-do-paul /

Onde água pára /
é no paul /
para garças pescadoras /
saracuras inquietas /
altas pernaltas /
( No paul a água apodrece /
igual água estagnada em corpo doente /
cuja hidropsia mitiga o movimento da alma /
que de alma-de-gato fica quase alma penada /
gastando as sete vidas do gato /
na contiguidade com a morte /
que cria seu mote /
para corpo em paul ) /

A água bate na pedra /
mas não entra na pedra /
não penetra a pedra granítica /
porque rocha é mineral /
que não absorve o mineral água /
- água é mineral líquido /
redundantemente denominado água mineral /
o ser do qual temos inteligência de líquido /
( inteligência noética ) /

A água é um mineral /
é uma rocha simples e plástica /
que carrega outros minerais ou rochas em sais /
pequeninos sólidos /
ao invés dos grandes minerais /
a formar a cadeia das Montanhas Rochosas /
enormes massas minerais /
a se erguer ante os olhos /
que escondem a alma /
enquanto viva e pagã /
como a água que desce a cachoeira /
com madeixas encaracoladas de deusa grega /
no imaginário mito do amor cristão /
( água é peixe ) /
e da paixão pagã /
( água é crocodilo do Nilo ) /

O corpo humano tem vida /
porque a água passa por dentro dele /
Quando a água pára de passar por dentro do rio do corpo /
o corpo vira rocha /
o homem morre /
muda de tempo /
- vai para o tempo geológico /

Olhando o que a água cava em rochas e terras /
vê-se o rio que por ali passou /
um dulcíssimo arroio de tempos imemoriais /
agora nenhum /
só escavações arquelógicas de água arqueóloga-paleontóloga /
a esculpir os Cânions /
nos entalhes deixados pelas mãos da água /
- bilhões de mãos-d'água /
entalharam os cânions /
Não obstante o arroio que se foi /
pode ser visto como ser em tempo geológico /
pelo monóculo desse ser geológico ou paleontológico /
que é um instrumento tal qual o binóculo /
para ver espaço à distância /
e tempo que salpica esse espaço visto /
( o tempo invisível /
pode ser visto no movimento desse espaço a passo de uva-passa /
no ser construído pelo homem é o tempo geológico : /
um nada imaginário ao longo do diabo /
da terra em erosão /
ou liquefeita na lava do vulcão ) /

Água é glória de terra /
- erva daninha /
quando tocada verde /
pela melodia clorofilada do violinista verde /
com sua orquestra de lianas /
"arboredos" e arbustivas formas /
de uvas deliciosas /
em videiras parabolares /
contadas por Jesus /
quando em terra /
- chão ao rás do chão! /
que homem é assim /
solo ao rés-do-chão /
com cabelo verde de ervas /

Nenhum comentário: