segunda-feira, 23 de setembro de 2013

CONJUADO(CONJURADO!) - dicionario wikdicionario



Mãe amava jardinagem e... - minha avó,
a mãe dela,
bem como seus filhos, (seu marido?) e a poesia
de Casimiro de Abreu, Junqueira Freire
e Álvares de Azevedo,
três ultra-românticos poetas,
e um árcade conjurado(conjurado!).
 
   
Mãe recitava de Alvarenga Peixoto,
um conjurado árcade,
o poema que  escrevera no cárcere
da Ilha das Cobras
o requintado intelectual lançado às traças.
O poema... - ei-lo na íntegra:
"Bárbara bela
do norte estrela
que o meu destino
sabes guiar,
de ti ausente,
triste, somente
as horas passo
a suspirar.
    Isto é castigo
que Amor me dá".
 
 
Mãe cozinhava mui bem:
galinha cabidela
empadas deliciosas
( nunca comi similares
- ou só mordisquei similares!)
e outros tantos acepipes, quindins...


Mãe saía à rua
acompanhado, acopanhada de todos os filhos
ainda crianças
e o povo que a via
na via expressa
comparava-a com a galinha e os pintainhos
ou a "escadinha"ou o time de futebol.
Íamos Ícaros 
com destino à casa de sua mãe,
avó para o tempo em que fomos gerados,
quase nos gerânios que mãe plantara
por toda a parte, no imaginário
e real mesclados.


Mãe cantava canções maviosas
e seu canto santo - materno e terno
era melhor do que o melhor grupo musical de mundo:
- The Beatles ( The Beatles de sublimes baladas!).


Mãe fazia tudo e era tudo,
dela não havia ausência,
enquanto meu pai 
apenas aparecia de coadjuvante
e de preferência ébrio e furioso
tal qual um Ludovico Ariosto
 que recitava o poema
"Orlando Furioso"
cuspindo marimbondos.
A atuação do pai é sempre a de um bufão
- embriagado!
 


Ora, se insisto em frisar
que mãe fazia e acontecia,
em tempos  de paraíso,
à luz edênica,
ou no Jardim das Hespérides
ou na Casa de Filosofia de Epicuro,
denominada o Jardim pelo sábio,
não é porque ela já esteja morta;
mãe ( Mãe!!!... grito e a noite me devolve 
o silêncio se mãe
com a esposa surda nos seus afazeres cansativos, coitada!).
Mãe, entrementes,  continua viva,
esbanjando saúde,
porém ferida pela idade provecta,
na qual muitos sofrem do mal de Alzeimer,
pena sobre a máscara teatral do teatro de Alzeimer,
peça dramática que um médico escreveu
para os demais colegas representarem
como meros atores no exercício da medicina,
dentre outros males que teimam em abundar,
a desdenhar a ciência
em sua estúpida e estapafúrdia presunção.
 

Mãe, canto sua alegria antiga assim,
que era minha felicidade de antanho,
não num tom elegíaco ou ditirâmbico,
mas com ordem de ode
eivada de nostalgia,
pois fica claro que nós, - todos!,
os maus filhos, que somos, - todos tolos!,
péssimos e ingratos seres humanos,
tratamos o outro ser humano,
não com respeito, carinho e amor,
nem com qualquer laivo de caridade
que ultrapasse o que é  mero verbo 
em lábios mendazes da barregã,
porquanto mesmo em se tratando de nossa mãe,
pessoa de proa de nossa vida,
que todo o amor semeou e doou para nós,
que nos embalou e consolou com carinho,
bálsamo que nunca mais usufruímos;
não obstante isso e tudo o mais
que não ouso narrar
por vergonha de constatar que tanto amor
teve o retorno de tanta indiferença,
pois a passamos a tratar nossa mãe,
que é a nossa vida,
como se morta fosse:
- tratamo-la como mula e trator que somos,
Massey  Ferguson,
- tratamo-la como se ela fosse
um jazigo vivo,
um túmulo aberto no peito
- da dor maior,
que é um dó maior...
que rasga e fere gravemente
- até nossa maldade infinita!

 
Mãe, não é, mãe,
que ainda me escuta daí
mesmo com a feaca umidade no ar
que mal me faz respirar!
Que deixa pendoar o perdão
e deste filho impenitente
que precisa de muita penitência filial
ela não cobra que jogue cinza na cabeça,
cilício e vestes de saco use
a abuse , como Deus quer.
 
 
Mãe pode ter morrido para a poesia
do conjurado Alvarenga Peixoto,
como morreu para muita coisa;
porém nós, mesmo em criança,
morremos todas as noites
e acordamos com a aurora
para que venha nos acordar
no fuso do dilúculo,
na lua embrulhada em teia de aranha,
toda branca, pálida,
pois todos somos roubados e furtados
de células, acervos de memória,
dentre a infinidade da riqueza
que fora e é nosso tesouro na vida,
sempre surripiado, bifado tesouro,
sem que nos socorra
o Código Penal Brasileiro
ou as leis internacionais
que berram e ladram,
mas somente põem o ricto do sarcasmo
em lábios entreabertos num sorriso irônico
do ladrão, que não é cão,
nem ladra feito um canino
- e também a ferida do berne
no boi,  vaca,  bezerro
- que ruminam e berram,
erram pelo pasto vasto
para que o abençoado pão de cada dia
chegue à mesa do médico  veterinário
que  também merece sobreviver
e se alimentar de glúten,
  caso não seja celíaco(celíaco!).

Outrossim, além de não permitmos paz aos vivos,
nem à nossa amada mãe,
em seus dias turvos
em que vê quase que tão-somente
o Ancião dos Dias,
não deixamos os mortos no limbo:
estão sempre nas nossas digressões,
visitam-nos em sonhos 
e os visitamos em cerimônias anuais,
se não dialogamos com eles 
escritos sob os signos,
afogados sob montanhas de signos
em livros, cartas, obituários, inventários, epitáfios
que são "proclamas" do mal-do-século,
em "Confissões" de Alfred de Musset 
e na vida extravagante de Lord  Byron,
um dos maiores poetas de Europa,
que jaz na Igreja de Santa Maria Madalena
em algum lugar da inglaterra.



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CELÍACO(CELÍACO!) - dicionáriodicionario verbete




Mãe amava jardinagem e vovó,
seus filhos, seu marido e a poesia
de Casimiro de Abreu, Junqueira Freire
e Álvares de Azevedo
três ultra-românticos poetas,
alguns árcades
( - mãe recitava Alvarenga Peixoto,
poema que ele escrevera no cárcere
da Ilhas das Cobras:
'Bárbara bela
do norte estrela
que o meu destino
sabes guiar,
de ti ausente,
triste, somente
as horas passo
a suspirar.
    Isto é castigo
que Amor me dá").
 
 
Mãe cozinhava mui bem:
galinha cabidela,
empadas deliciosas
( nunca comi similares
- ou só mordisquei similares!)
e outros tanto acepipes, quindins.


Mãe saía à rua
acompanhado todos os filhos
ainda crianças
e o povo que a via
comparava-a com a galinha e os pintainhos
ou a "escadinha" ou o time de futebol.
Íamos com destino à casa de sua mãe,
avó para o tempo em que fomos gerados,
quase nos gerânios que mãe plantava
por toda a parte, no imaginário.

Mãe cantava canções maviosas
e seu canto santo- materno e terno
era melhor do que o melhor grupo musical de mundo:
- The Beatles


Mãe fazia e era tudo
e meu pai apenas aparecia de coadjuvante
e de preferência ébrio e furioso
como um Ariosto que recitava o poema
"Orlando Furioso".
atuando sempre como um bufão.


Ora, se insisto em frisar
que mãe fazia e acontecia,
em tempos  de paraíso,
não é porque ela já esteja morta;
ela continua viva,
esbanjando saúde,
porém ferida pela idade provecta,
na qual muitos sofrem do mal de Alzeimer,
sofre sobre a máscara teatral do Alzeimer,
peça dramática que um médico escreveu
para os demais tolos representarem
como meros atores do exercício da medicina,
dentre outros males que teimam em abundar,
desdenhando a ciência
e sua estúpida e estapafúrdia presunção.
Canto sua alegria antiga assim
não com tom elegíaco ou ditirâmbico,
mas com ordem de ode
eivada de melancolia,
pois fica claro que nós, - todos!,
os maus filhos, que somos, - todos!,
péssimos e ingratos seres humanos,
tratamos o outro ser humano,
não com respeito, carinho e amor,
nem com qualquer caridade
que ultrapasse o que é  mero verbo nos lábios mendazes,
porquanto mesmo em se tratando de nossa mãe,
pessoa de proa de nossa vida,
que todo o amor semeou e doou para nós,
que nos embalou e consolou com carinho
que nunca mai tivemos,
não obstante isso e tudo o mais
que não ouso narrar
de tanto amor
devolvido com tanta indiferença,
pois a passamos a tratar nossa mãe,
que é a nossa vida,
- tratamo-la como mula e trator que somos,
Massey  Ferguson,
- tratamo-la como se ela fosse
um jazigo vivo,
um túmulo aberto no peito
- da dor maior,
que é um dó maior...
que rasga e fere gravemente
- até nossa maldade infinita!
 
Mãe ( não é, mãe,
deste filho impenitente
que precisa de muita penitência filial)
pode ter morrido para a poesia
do conjurado Alvarenga Peixoto,
bem como morreu para muita coisa,
mas nós, mesmo em criança,
morremos todas as noites
e acordamos com a aurora
pata que venha nos acordar
no fuso do dilúculo,
na lua embrulhada em teia de aranha,
toda branca, pálida,
pois todos somos roubados e furtados
de células, acervos de memória,
dentre a infinidade da riqueza
que fora e é nosso tesouro na vida,
sempre surripiado, bifado tesouro,
sem que nos socorra
o Código Penal Brasileiro
ou as leis internacionais
que berram e ladram,
mas somente põem o ricto do sarcasmo
em lábios entreabertos num sorriso irônico
do ladrão, que não é cão,
nem ladra feito um canino
- e também a ferida do berne
no boi,  vaca,  bezerro...
para que o abençoado pão de cada dia
chegue à mesa do médico  veterinário
que  também merece sobreviver
e se alimentar de glúten.,
se não for celíaco(celíaco!).

Outrossim, não deixamos os mortos no limbo :
estão sempre nas nossas digressões,
sonhos e cerimônias anuais,
se não escritos sob os signos,
afogados sob montanhas de signos
em livros, cartas, obituários, inventários, epitáfios
que são "proclamas" do mal-do-século,
e "Confissões" de Alfred de Musset 
e na vida extravagante de Lord  Byron,
um dos maiores poetas de Europa.

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sexta-feira, 20 de setembro de 2013

OUSÍA(OUSIA!) - dicionáridicionarioterminologiaetimo

Epikur.jpg

As metrópoles hoje não mais respiram nem deixam respirar . O asfalto  desdenha a água e não a retém nem a bebe, deixa-a para as bocas-de-lobos entupidas com lixo ( ou luxo de uma sociedade fundada no consumo); não segura a água nas paredes dos prédios de concreto armado : pedra mais dura e seca que a rocha originária, quiçá. Assim vivemos, peixes que somos ou fomos ontem no tempo geológico, sem água para respirar, com as narinas e a garganta seca e entupida por refrigerantes dulcíssimos,  fortuna de carboidratos.
A vida é vegetal, vegetativa, está nas plantas, na “planta” da glicose,  que é a planta, planta  que planta e cultiva a vida, na prancha da natureza arquiteta, e seus cultivos e cultivares que, quiçá, conhece e convive com o Arquiteto do Universo, o Ancião dos Dias. Sem os  gases, como o dióxido, o monóxido de carbono, o oxigênio, o nitrogênio e outros, não teremos “vegetividade” e,  consequentemente, não teremos vida mínima sequer,; vida  em que vige o plantio, o cultivo e  cultivares.
Obviamente o clima é mais importante que a cidade no que tange à temperatura, umidade e outros fatores climáticos; entrementes, a engenharia racional e sensível aplicada à uma cidade, por seus engenheiros e paisagistas à la Burle-Marx, pode mitigar os efeitos do clima ou  intensificá-lo até à tortura do corpo suado.
Estamos a morrer por não  sabermos  arquitetar cidades, pois não respeitamo-nos enquanto seres humanos, não amamos nossos filhos e netos o suficiente, nem a  nós mesmo ( que não ama a à sua estirpe, odeia-se ou então  é apenas um insensível ignorante perdido na natureza que o corrói com os germe e a estupidez,  que é sua derrocada, porquanto  quando ignoramos o outro ignoramo-nos inconscientemente e nos colocamos todos em perigo iminente, pois o homem sem o grupo de proteção, sob o qual vive, sendo chefe ou subordinado, não logra subsistir, mas entra em decadência social e dissolução da comunidade com morte certa.  É ensejar a crônica de uma morte anunciada,  processo que leva ao fim do homem pela dissolução da associação sob a qual se protegia e dava-se mútua proteção.
Não respiramos mais, senão mal, com pouca umidade no ar,o que nos mata devagarinho, paulatinamente; estamos distantes dos animais, do verde vegetal, dos odores das plantas, da terra que se ergue no vento e se molha na chuva, que traz mariposas de helicóptero auto-pilotável, mariposa que pousam aqui na minha mão e enchem de emoção o coração, atravessando a massa dos edifícios cujas  moles  podem ser avistadas de longe.
Em Nova York, além do Central Parque, já estão fazendo fazendas pequenas entre os arranha-céus  ou  nas  cercanias deles, pois o homem americano ( não digo povo, note!) é mui pragmático e percebe o prejuízo que as cidades moribundas são ara o homem: prejuízo econômico!,  porquanto é nisso que eles pensam, são obcecados pelo ganho –  otimizar os lucros e, na maioria das vezes, mitigar os custos, ou torná-los o mínimo possível,  com dispêndio de  apenas o necessário, pois as despesas, muitas das vezes, tomam parte considerável do lucro e tornam a operação contraproducente, se não inviável.  
De mais a mais, os norte-americanos, o povo pragmático, o homem pragmático,  está sempre atento e alerta contra os malefícios econômicos, políticos e sociais do desperdício,  pois  este encarece tudo, pesa mais que impostos e são tão graves ou mais que a corrupção porque a corrupção, conquanto  nem sempre seja  possível  de evitar,  pode ser minorada nos seus  danos, pois os bens ou numerários desviados podem ser, em  geral o são,  passíveis de restituição,  ao menos nos países em que as leis vem para viger sobre as cabeças de todos e não tão-somente servir de verdugo e cortar as cabeças da maioria dos cavaleiros sem cabeça, que não são lenda, neste caso específico,  nem metáfora,  mas realidade populacional que enche o espaço do campo e da cidade,  o que não ocorre com o custo da saúde pública que, se negligenciada, gruda a conta da inflação em cada parede de hospital e de empresas, governos, do estado, enfim,  e em todos os sentidos,  porquanto  uma doença crônica, que poderia ser evitada com profilaxia adequada, racionalização,  traz não só despesas várias e prejuízos enormes, bem como ocupa inúmeros profissionais razoavelmente remunerados e se alastra em prejuízos que vão ao bolso do indivíduo, então paciente, e volta ao erário inúmeras vezes para cobra  a conta da incompetência e da estupidez, que é elevadíssima e tomas grande parte da renda e marca com compasso e ritmo as relações sociais e econômicas, além de ser a mostra de políticas equivocadas ou negligenciadas  por um governo que, inapelavelmente,  acabará afetado a administração do próximo governo e, o que é pior, criará um costume de governo que com o passar dos anos e com as repetições, acabará como parte da cultura.
Pelo exposto, pode se depreender, sem dificuldade, porque o homem precisa ter o poder maior que o do estado e dos seus governantes que, em todos os lugares da terra, demonstraram que são fracassos. Todos os governos hoje no planeta terra são contundentes, redundantes, retumbantes fracassos,  motivos de decepções e frustrações do povo ( o homem de seu de categoria aristotélica quando de indivíduo humano virou povo, ou seja, foi-lhe usurpada  pela espada a sua substância então cortada pelou direito, que é a arma do estado, sempre escravocrata. O estado é o império sobre um só povo, ou antes, que transforma um conjunto  de homens da mesma etnia e língua em povo, ou seja, em escravos. Ao perder, ao ser usurpado da sua realidade ( de rei) de sujeito do mundo , o homem, enquanto ser, ousía (ousia!), substância primeira ou substância–prima do mundo,  viu-se  obrigado, coagido a se rebaixar a uma coisa, um povo, uma massa disforme e vária).
Para que o homem, enquanto indivíduo dentro de uma coletividade, tenha poder,  não importa a hierarquia,  é mister que tenha atitude, seja livre para ter atitude, o que não acontece com um povo, que, e geral, mormente no que o povo foi transformado, em massa, não passa de objeto de manobras de demagogos e outros. O homem é maior que o povo, pois o povo começa e termina no homem e não o contrário, conforme se apregoa. Chegou o tempo de acabar com os governos representativos,  que , de fato e de direito, não representam senão alguns grupos no pode r e vinculados aos senhores no poder, forma antiga de dominar pela força  bruta da espada romana, da cruz romana  e do direito romano, que substituiu a vetusta  religião e a adornou com a filosofia menor da Hélade , depois da filosofia maior de Aristóteles. A filosofia entrou na maioridade, na maturidade, na sua plenitude com o estagirita, passando pela juventude com Sócrates e Platão. Portanto, chegou a hora do  governo retornar ao homem enquanto indivíduo livre em cidades-estados em que todos são governantes, utilizando-se, evidentemente, de mecanismos políticos que permitam e tornem viável essa governabilidade. Um homem no governo a cada ano e que não retorne depois a um segundo tempo e governabilidade, pois isso tende a cristalizar a corrupção, que é apanágio do homem, exceto do homem de Aristóteles na Ética a Nicômaco ou nicomaquéia. Mas apenas ali, naquela obra  arrancada ao coração do filósofo.
Por outro lado, as instituições, as, quais hoje são colossais conglomerados,  teias de aranha onde o homem está preso e é morto diuturnamente,  tem que ser menores e submissas ao homem, pois o homem é quem cria as instituições e não o contrário : as instituições, empresas e o que seja, são feitas para o homem, para servir ao homem e não o homem oposto. A oração que reza que o homem passa e as instituições ficam é uma balela, um sofisma grosseiro, maldoso, pois subverte a realidade, aniquila a verdade que é posta por cada indivíduo e que sobrevive às instituições e às belas letras.Nos Evangelhos: é o sábado para o homem e não o homem para o sábado. Será que essa frase poderá instigar os homens-múmias que pensam que dirigem as instituições, mas que, no fundo, são marionetes delas?
Na atualidade quem atua, são atores e sujeitos que  não  o homem, mas as instituições, esses asilos para doentes mentais e enfermos do corpo e da alma: estados, igrejas, empresas, associações, etc. Mesmo o homem aparentemente mais poderoso do mundo, o presidente dos Estados Unidos da América , não tem poder algum, pois somente pode agir se consultar as instituições: Congresso Nacional, a mídia, os grandes bancos que comandam o mundo financeiro e que fazem da economia ma mentira enfeitada, ao invés de uma ciência séria. Quem manda, comanda, é a lei, as instituições também obedecem a lei, instituição magna do direito, elaboradas pelo estado, este ditador universal da terra  onde vive cada indivíduo humano prisioneiro delas.  Não há mais liberdade, nem para onde fugir.Vivemos à época da ditadura das instituições laicas e religiosas. Na Idade Média o comando da Europa tinha seu cerne na igreja Católica, que exercia seu monopólio e seu solilóquio. Hoje são as instituições que forma o estado de direito ou teocrático.
Fomos rebaixados a sujeitos gramaticais, nada mais. Descemos à sintaxe das palavras. Foi revogada nossa dignidade como sujeitos ontológicos e lógicos na proposição da substância de Aristóteles, tempo em que o homem tinha liberdade, pois o filósofo não era, decerto, nenhum nefelibata destrambelhado. Na filosofia do estagirita éramos a substância primeira, de onde  tudo provinha; éramos o sujeito lógico, ontológico, senhores do mundo que moldávamos a nosso talante. Hoje, tigres de papel, sujeitos da gramática, meras ficções de interlúdio, títeres das leis.  Só não nos transformaram em predicados do sujeito porque isso  é mera ficção, conquanto se faça isso por direito ou de direito, pois o direito tem o poder, o condão de ignorar os fatos e viver da ficção jurídica que pode dizer o que quiser que isso vira lei de besouro montanha abaixo, ó Epicuro de Samos! O que somos? Ou nos obrigam a ser?! De Samos não somos, nem do Jardim.
 Não somos mais o ser, a ousia,  a substância (“substantia”),  a essência (“essentia”), o sujeito da proposição, da enunciação, o sujeito da concretude, “einai”?!... Sim , somos; mas as leis venenosas armam sofismas e os mais tolos( a maioria absoluta, que comanda!) crê como uma moça parva ou uma mosca morta.
Finado esse anátema, que é o estado de direito, a república, morto o leviatã mitológico que a tudo e a todos domina implacável, o homem ficará somente com o capitalismo, que ele próprio, enquanto indivíduo, poderá dirigir como juiz de si e do sistema e onde os líderes emergirão naturalmente e, destarte,  inaugurarão uma  Era da inteligência inata, pois cada um terá a liberdade de falar e fazer aquilo que melhor sabem ou sabem com maior proficiência.. Somente assim nós todos, cada um de nós, enquanto indivíduos, poderemos dirigir nossa vida e os sistemas que pomos como pomos ( de ouro) no mundo como nossos filhos mentais, os  quais acabam monstrengos que nos devoram com o tempo, numa espécie de mito de Cronos  aos  avessos.
Testemos uma cidade-estado assim, nestes moldes aqui explanados grosso modo em alguma Geonímia.
 
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sábado, 14 de setembro de 2013

ÊXTASE(ÊXTASE!) - dicionário dicionario verbete



"Tudo o que era sólido se desmancha no ar" é uma frase de Marx com fulcro no pensamento de Heráclito de Éfeso : "Tudo flui - tudo é e não é". Este "tudo" é o "todo", o "uno", o "Hen panta"de Parmênides; enfim, o ser. A oração de Marx também influiu no pensamento de Bauman quando disserta sobre a a "sociedade líquida", "Amor Líquido" e "Globalização:  as consequências humanas" e Vidas desperdiçadas", livros de sociologia que são mais tragédias filosóficas em prosa e em ciência que qualquer outra coisa proveniente da alma humana, na acepção do estagirita.
O filósofo Aristóteles já havia parado essa sangria quando coloca as categorias,mormente a substância, no mundo real, com se fora um demiurgo do "logos" e da lógica. O estagirita anula parcialmente o pensamento da viração permanente do pensamento heraclítico, do vir-a-ser instantâneo que não permite tempo para que qualquer coisa seja ou seja e não seja simultaneamente ou quase em simutaneidade. Faz parecer que essa mudança é absoluta, não guarda tempo de relação ou para relação, o que é um equívoco  mesmo no universo subatômico da física quântica, que labora sob o tempo da luz ( tempo em velocidade). Aliás, por quê física quântica e não química quântica, já que trata dos átomos? Ah! porque, evidentemente, o critério é outro em cada caso ou cada mundo e que se passam os fatos.
O contemplar estática ( e em êxtase(êxtase!)) de Parmênides aborda o ser e o dicotomiza em ser e não-ser em contraponto à contemplação móbil heraclítica.
Esta visão de "Sociedade Líquida", algo trágica, com rasgo de tragédia grega, pois constrói e destrói relações e valores, edifícios colossais, grandes corporações num átimo,  é a mesma ideia heraclítica fundada na força natural , mas em outro contexto cultural, historial, social, econômico, político, etc., transmutada para o capitalismo, o motor incontrolável do mundo do homem moderno, coevo; o mesmo  cosmos mutável, "líquido" no rio que nunca flui o mesmo duas vezes ( o rio que somos, que fui  e flui em sangue, células, moléculas, pele, ossos; enfim, no corpo e na mente, na mente enquanto metáfora dos produtos do cérebro, lembra que nunca fui duas vezes também, ó rio!), esse cosmos cujas mutações frequentes inquieta Platão e Aristóteles, veio a jorrar na produção humano, na sede ilimitada,  infinita, faustiana do capitalismo, derrogando valores tão caros ao ser humano, tornando impossível a permanência do casamento, da empresa que não se modifique consoante os ditames do mercado ( novo ditador cruel, não mais desumano, como o ditador humano, mas inumano : o mercado abstrato e real que massacra com seus tanque de guerra mercantil, seus helicópteros apaches, seus "robocops", impondo a liquidez em tudo, mesmo no amor mais terno e com sonho de eterno); enfim, derribando tudo, inclusive as crenças, a fé : tudo o que é humano e dá conforto, não importa a verdade ou o que se venda e compre como como verdade. Verdade?!...
O senso da liquidez das coisas, está em símbolo no jogo do xadrez, do xadrez em desenho em preto e branco no tabuleiro : jogo de claro-escuro,
luz e sombras. Dí-lo com propriedade o Predicador, num contraponto que não refoge ao ponto o tema : "Nada de novo debaixo do sol", ou seja, a mudança é antiga sob o sol e, ao mesmo tempo, essa mudança contínua acaba se contrapondo em fixidez, rigidez, estabilidade, paradoxalmente.Todavia, a mudança na frase do predicador  soa contrapontística, pois sua assertiva é que nada muda, mas ao afiançar isso, para obnubilar o mundo real e o sol, joga sementes de metáforas no sentido oposto, asseverando que tudo muda... - por isso, portanto, nada é novo, nem mesmo a mudança, que é mais vetusta que o sol : todo  o conhecimento é um paradoxo. Aliás, isso nos remete, de certa maneira, à tese de Antístenes, pois absolutamente não se pode declarar o falso, numa oração, nem tampouco evocar o contraditório, princípio bailar do conhecimento, mesmo porque o conhecimento é mais complexo que a realidade. A realidade não passa por palavras; logo, não se perde nessa indevassável trilha.

( Para o ensaio "Historiografando em geóglifos ideias esdrúxulas ao aprisco desde priscas eras heraclíticas").
 
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terça-feira, 10 de setembro de 2013

GRIS(GRIS!) - dicionário dicionario etimo


Léonard de Vinci - Saint Jérôme.jpg
Há pouco um penitente
tomando a rua com seus passos largos
(ao "Largo da Carioca"),
risos álacres e folguedos pueris
ia hilariante de encontro aos acres homens
de cores gris(gris!)
que temperam a comunidade
com a fatuidade do parco fogo da paixão sazonal.
O louco penitente
desçalço, calcado sobre o calçado do asfalto,
escabelo a seus pés,
carmelita límpido e real,
profeta Elias saindo do Carmelo,
Santa Tereza,
São João De La Cruz,
Cruz e Souza, o poeta magno!,
saindo da crisálida da poesia
aonde não se prendia em cela(Selá?!),
entre os cenobitas.
Levava o torso nu,
não o cobria com camisa,
sotaina ou túnica
- o  zombeteiro ébrio que assustava,
com seu brio,
ao emitir uma espécie de soluço,
guincho ou algo similar, indefectível e indefinível,
como quase tudo que está em vida corrente.
-
Podia se ver o estupor
nas faces dos pobres e falidos transeuntes
feridos pelas setas poderosas do capital
e do consumo,
dos quais são devotos,
devotados servos e escravos submissos,
omissos, benquistos aos bispos
e outros prelados, presbíteros,
cuja sabedoria aprendida e apreendida
era pensar  a vida
enquanto ponte prêensil
na cauda dos símios,
vez que seu saber
se restringe a uma bela anedota
originária da mente de resignados religiosos
que nada sabem do mundo em que plantam o pé
-  quando descem da liteira para príncipe inválido e falido
ou outro governante em regime falimentar,
no qual mergulharam todas as repúblicas e monarquias
há muito sem função social,
sem função alguma par ao povo
e as empresas que os sustem no poder,
que já lhes e tirado
a cada protesto da população conjurada
que não almeja mais
novo governo futuro,
mas o fim dos governos no mundo
- para que o mundo seja livre
e pertença a todos os homens
e não apenas a alguns.

Se o mundo fosse pertença de todos,
da falência do ser e do saber
não morreríamos todos em vida
e a  vida natimorta
jamais seria a criatura do homem e da cultura
em cultivares e cultivos
planta pronta nos projetos
dos arquitetos sem tetos,
sem abóbadas, a céu aberto...:
ação de estafermo.
No saber, cardiologista
não sabedor da experiência de ser cardiopata,
não poderia ser cardiologista,
mas aprendiz do ofício.
Nessa coletividade de alienados
o ser, na ceia, que é  o "pão nosso"
-  falso pão ázimo de "cada dia",
o qual não damos de comer de nós,
porém substituímo-lo pelo furto das palavras,
surrupiadas ao "Pai nosso" comezinho,
nem tampouco o vinho em cada ceia
que não vem de nosso íntimo,
mas de um ator contratado
para nos representar no drama,
na farsa cotidiana e frívola
que resolvemos ser
para não perturbar nossa paz
nem a paz da sociedade-polícia-juiz-algoz
que goza do poder de proibir e coibir o ser
seja de quem seja :
do rei ou do meirinho,
do velho medroso ou do menininho,
do adulto sob o peso da corrente e da máscara
e do jovem audacioso
que  quer escancarar sua identidade secreta
- de super-homem, Batman,
enfim, do homem com a máscara de ferro
que jaz sob nossa face manchada com a máscara).

Esses penitentes de Deus
são os únicos profetas
que não estão no mundo
e, concomitantemente, não pediram falência,
nem concordata ou moratória.
remissão, anistia...
Nós, os outros, estamos em processo falimentar,
se não falidos irremediavelmente,
senhores da massa falida
que levanta a arquibancada
e derrota os credores quirografários,
pobres sem esperança ancorada em lei
- ou rei,
que é a mesma  coisa
de pessoa fictícia
( pessoa só pode ser ficta: persona)
a ser humano real
pedra jogada no caminho do algoz
que goza das prerrogativas de lei e rei
para rogar pragas
e enviar ao cadafalso
para que a lei seja cumprido
e a soberania do rei comprida
- até ao fim do apocalipse
e, quiçá, depois do apocalipse
malbaratado em política de igreja,
que, se sé não é,
- é Santa Sé
com vasta jurisdição.
Na indústria da cultura,
em toda sua economia,
o estado-leviatã de Hobbes
manufatura o indivíduo humano
transmutando-o em coletividade plácida ou hostil,
ou no monstro do Dr Frankeinstein
obra arrrastada da imaginação fértil
da escritora Mary Shelley.
Asserta Nietszche que a mulher
é "uma mentira enfeitada";
assevero que esta mentira adornada
- é o estado em todas as suas manifestações
ou alienações: leis, religiões, costumes...
(Ai! São Jerônimo penitente
de Michelângelo Caravaggio.
Leonardo da Vinci...
à sombra de igrejas
que são  políticas inconfessadas
aos pobres de espírito santo).
 CaravaggioJeromeMeditation.jpg
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quinta-feira, 5 de setembro de 2013

AUTÓTOCNE(AUTÓCTONE!) - dicionário dicionario glossario

A lenda do João-de-barro está inserta na língua dos indígenas brasileiros;  língua oral, não histórica porquanto não possui escrita , obviamente. Por ser oral é pronta para ser narrada boca-a-boca, ouvida de ouvido-a-ouvido e passada pela tradição oral que atravessa os milênios : é a memória do homem, de um povo, em ação, sendo levado de boca em boca, ouvido a ouvido, passada de mestre a discípulo, pai a filho, etc.
Ao ser transcrita em idioma que possui escrita e, concomitantemente, história, esta lenda perde parte do antigo contexto e se veste com o contexto (cultural, historial, mental, moral, espiritual, intelectual...) da língua que a narra por escriba e escrita, pois ambos interferem no contexto : escrita e escriba.O contexto se torna misto e ora toma o universo mental do escriba, ora o mundo do aborígene.
Uma língua oral e inculta sendo traduzida por um erudito pertecente à cultura e civilização de uma língua culta, rica, com enorme literatura de todo tipo, envolve inúmeras denotações e conotações imperceptíveis e intraduzíveis, além do mais é retraduzida pelas gerações subsequentes, que a guardou no relicário da língua escrita, traduções essas que impossibilitam o diálogo e a dialética(grega) das línguas que se falam ou conversam por um instante : no instante em que insta tornar a narração da lenda inteligível, ao  menos plausível, principalmente no idioma a que se dirige escrita e não mais para a oitiva do autóctone que já passou de ser no tempo enquanto cultura e modo de vida independente.
Uma língua falada canta e não diz, nem pode exprimir em seu ritmo e rito, o que o mito virado no diabo da ciência com rabo quer dizer em seu silêncio mergulhado ou morto, afogado, em signos e símbolos, pois uma língua que fala não pensa, antes age; o oposto se dá na língua que não fala : escreve, pensa, não age,portanto, cala na madrugada da matemática, quando em silencio de monge amanuense trabalha intelectualmente, porquanto antes contempla a sabedoria filosófica de que fala o filósofo Aristóteles na Metafísica, nas Categorias, na Ética a Nicômaco, no "De Anima" e outros escritos filosóficos canônicos exotéricos ou esotéricos. ( A palavra "metafísica" nunca foi sequer pensada por Aristóteles : é obra, espécie de neologismo cunhado por um dos compiladores de sua obra  filosófica, científica, erudita,  enfim).
Os escribas que  registram a lenda, deixam o registro de sua voz no texto, que, paradoxalmente, jaz no silêncio mortal dos signos unidos numa comunidade de entendimento, porquanto durante os séculos, para respirar o tempo em presença e vivo, o tempo do ser manifestado, das epifanias intelectuais e sensíveis, sociais e políticas,  e manter-se viva na literatura, ao invés de virar cemitério da história ou da tradição oral, a língua teve ( e tem!) que se modificar em contexto de tempo, beber e se alimentar dos peixes que nadam pelo rio do tempo ( peixes e águas que Heráclito contemplou e Jesus, por seus discípulos, pegou para comer e alimentar as multidões, consonante a lenda ou anedota do milagre, no Lago Tiberíades, acho!).
Outrossim,na tradução de uma língua a outra há o contexto linguístico e até gramatical, o qual acaba participando na lenda e dando seu palpites nas mudanças da lenda, que quer ganhar o corpo, o pão e o sangue de cada dia. Só no ato de passar de um idioma a outro já se levanta toda uma hermenêutica, exegese, lógica, ontologia, gnoseologia, etc.
Uma lenda simplista, simplória mesmo, originária de uma nação de nativos que falam ingenuamente uma paupérrima e limitada língua oral, acanhada num canto longínguo do jângal, ganha polifionia e complexidade ao enfrentar o mundo que conheceu a sabedoria e erudição grega e judaica-cristã, dentre outras em constelação, abraçaram-se nos laços do latim da Roma dos Césares viciosos e do Império romano, empreendimento que amalgamou tudo na alma romana, espírito da Era Medieval, Moderna e Coeva.
Nosso corpos, almas e espíritos, são corpos, almas e espíritos romanos, os quais são uma miscelânea da opulência e profundidade da erudição grega e da espiritualidade judaica-cristã.
Vê aonde acaba indo peregrinar um breve ensaio sobre uma lenda autóctone?(Autóctone!).

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