A árvore de natal na sala / na cozinha ou no jardim de inverno / cintila em sintonia fina com a galáxia / em busca de uma lareira no coração / aquecendo a noite / apagando borrões de trevas / abrindo a flor de abelha em amplexos de favos e mel / ( Jataí já está aqui ) /
A árvore de natal / é um coisa para unir os olhos / apertar todos no abraço / juntar todos em volta da luz / dos vagalumes de luz / desaparecidos há tempos / roubados à natureza / pela mão engrenada em máquinas do homem / cortando vida de árvores / ceifando bichos e insetos / destruindo a própria vida / semeando a estupidez / a grande arma humana / que mata e destrói tudo / expulsa a natureza / cava as ervas / puxa a era glacial / do longânimo passado geológico / ( Jataí já migrou em juriti / elegia triste de viúva ) /
A árvore de natal / é um objeto vivo / nos olhos dos filhos e filhas / ainda vivos / malgrado o tempo ruim / o tempo ruindo socialmente / lá para fora da janela / da janela de um olho só / um olho de triste olhar pirata /
A árvore de natal lá de casa / ainda chove de luz / da luz oriundo dos olhos de minha filha / e de meu filho ressuscitado / dentre os anjos mortos em batalha / contra o demônio social que crassa / não nas raízes das ervas / mas nas patas das bestas humanas /
O natal é para o amor / não para o cio das bestas / não apenas para ouvir sobre Cristo e igreja / ou somente para atender a demanda do comércio / mas sobretudo para ser livre / para treinar para a felicidade / ao menos uma vez no ano / ao menos diante dos olhos dos filhos / que vão da árvore de natal aos presentes / numa alegria sem preço /
A árvore de natal / lembra-me os vagalumes / que vi na tempestade / da noite na solidão de uma estrada / no meio do mato e do asfalto / com um motorista e um automóvel / por proteção da chuva forte / que cegava o motorista / na noite em alma pura de terror / salva pelo brilho intermitente dos vagalumes / que pareciam as luzes de uma árvore de natal / no meio de um lar desfeito / cavado nas trevas / sem nenhuma criança / para arrancar a felicidade do céu / das mãos do anjo do céu / e dar de presente aos pais / ali quedos e silentes / no buraco negro do lar /
Uma criança é um anjo dado de presente pelo bom Deus / que então faz os pais / plantarem uma árvore de natal / nos olhos brilhantes de alegria e triunfo das crianças / ( olhos de criança feliz / são vagalumes nas trevas / castelos feudais a arrostar a fúria das tempestades ) /
Olhos felizes de crianças / são as duas colunas do lar / A árvore de natal está nessa terra / plantada nos olhos de uma criança querida / e não na terra do planeta / mas nos minerais dos olhos / de uma criança muito amada /
Esta é a árvore de natal / construída na luz dos olhos / de minha filha Ana Luiza / quando vivia no tempo dos nove anos / tempo do nosso último natal com estrela de Belém / com o menino Jesus de Belém / nascendo em nossa casa / e não na casa de Davi /
terça-feira, 9 de dezembro de 2008
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